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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Livro: "O Século XIX na Fotografia Brasileira" - Rubens Fernandes Junior e Pedro Corrêa do Lago (2000)


No ano 2000 a FAAP - Fundação Armando Álvares Penteado - comemorou os 160 anos da chegada da fotografia no Brasil, organizando a exposição "O Século XIX na Fotografia Brasileira", composta por 200 fotos originais da Coleção Pedro Corrêa do Lago.

O livro reúne essas imagens acompanhadas de textos do próprio Pedro e do professor Rubens Fernandes Junior.

Veja abaixo a matéria assinada por Marcelo Camacho que saiu na Veja On-Line na época do lançamento:

"Em janeiro de 1840, apenas cinco meses depois do anúncio de sua invenção na França, a fotografia chegou ao Brasil. O pioneiro foi dom Pedro II, que se interessou de imediato pela nova técnica, adquiriu um daguerreótipo e lançou-se a fazer imagens.

Para promover a fotografia, o imperador patrocinou a vinda de profissionais estrangeiros e se dispôs a ser retratado diversas vezes, sozinho ou ao lado de sua família. Desse modo, deu um empurrão e tanto para que a novidade se tornasse popular por aqui já na década de 1860.

A produção dessa época acabaria cumprindo um papel que a pintura brasileira do mesmo período raramente soube ter: fornecer à posteridade um magnífico registro não somente das paisagens da terra, mas também dos diferentes tipos humanos que viviam nela."

Pedro Correa do Lago é "o maior colecionador de fotos do Brasil oitocentista e foi com base em seu acervo que se montou o livro. O Século XIX na Fotografia Brasileira divide-se justamente em dois capítulos, retratos e paisagens.

O primeiro, como não poderia deixar de ser, traz diversas fotos da família imperial, com especial destaque para um inédito daguerreótipo da imperatriz Tereza Cristina, datado de 1855, assinado pelos artistas Buvelot e Prat e delicadamente colorido a mão. O retrato, ao que tudo indica, foi enviado de presente a algum parente europeu da imperatriz. Ele só voltou ao Brasil recentemente, depois de ter sido comprado por Pedro Corrêa do Lago num leilão internacional.

Outro rico filão é composto de imagens de índios e negros. Suas fotografias eram muito populares entre viajantes estrangeiros, que, ao voltar para casa, gostavam de carregar registros desses "exóticos" habitantes do Brasil. Impressionam, por exemplo, as feitas pelo alemão August Stahl, entre elas a de uma jovem e bela escrava negra, de turbante na cabeça, expressão melancólica no rosto e face marcada por cicatrizes (não eram marcas de castigo, mas sinais distintivos de sua tribo de origem, na África). Stahl fez o trabalho a pedido do cientista suíço-americano Louis Agassiz, que visitou o Brasil na década de 1860 e, em 1867, publicou um livro sobre a aventura. Ao contrário dos viajantes, a elite brasileira raramente cogitava de documentar seus escravos. Uma exceção está na maravilhosa foto reproduzida na capa do livro, na qual uma senhora aparece sentada em sua liteira, tendo a seu lado dois escravos de fraque, cartola e pés descalços. Na maioria das vezes, os ricos preferiam reunir a parentela em fotos posadas, nas quais emulavam a aristocracia européia. O dado irônico é que muitas dessas imagens revelam aquilo que o preconceito a todo custo quis esconder: o caráter miscigenado da população brasileira, mesmo aquela que se encontrava no topo da pirâmide social. Basta observar atentamente um retrato como o da importante família paulista Prado, realizado em 1895 por um anônimo, para constatar esse fato.

Por razões óbvias, o Rio de Janeiro, capital do país, foi o maior centro da atividade fotográfica no Brasil. Mas havia um grande número de profissionais instalados em cidades do Sul, Norte e Nordeste. É de Belém, por exemplo, a imagem surpreendente do velório do compositor Carlos Gomes, o renomado autor da ópera O Guarani. Foi feita por Antônio de Oliveira, que durante muitos anos manteve na capital do Pará um estúdio cuja produção se caracterizou pela criatividade. Também havia aqueles que viviam se deslocando pelos quatro cantos do país. Assim como os estrangeiros levavam para casa imagens de "tipos curiosos", também adoravam fotos da paisagem local.

Mas seria incorreto dizer que a produção paisagística dependia desse estímulo financeiro. Registrar imagens da natureza virgem de um país como o Brasil era irresistível. E as fotos nas quais a mata exuberante aparece ao lado de construções de arquitetura européia causam, ainda hoje, um notável efeito de estranhamento. Como observam os organizadores do livro, "a obra dos paisagistas, muito menos numerosa do que a dos retratistas, é considerada a nata da produção fotográfica no Brasil do século XIX".

Com sua câmara, Marc Ferrez, o melhor fotógrafo brasileiro de seu tempo, mapeou as principais localidades da jovem nação. Além do Rio, onde nasceu, esteve em Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Desta última, que no futuro seria a maior cidade do Brasil, o livro traz outros registros curiosos, como os realizados em 1862 pelo carioca Militão Augusto de Azevedo.

São Paulo se revela uma cidade de casas toscas em ruelas sem calçamento – uma desolação só. Em 1887, Militão fotografou toda a cidade novamente e publicou seu Álbum Comparativo 1862-1887, uma empreitada elogiada na época. Deve-se observar que, ao contrário de Militão e Ferrez, muitos fotógrafos não se preocuparam em registrar seu nome nos trabalhos que faziam.

Algumas das melhores imagens de O Século XIX na Fotografia Brasileira devem-se a anônimos que, sem se preocupar com "arte", "fama" e "autoria", legaram ao país um maravilhoso painel de sua história."

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Livro: Glamour - Diana Vreeland e Christopher Hemphill (2011)


   
"O nome Diana Vreeland (1906-1989) é um dos ícones da moda mais influentes em todos os tempos. Tendo inspirado gerações com seus pontos de vista peculiares – Diana reconhecia a beleza de mulheres tidas como esquisitas, caso da cantora Barbra Streisand e da atriz Anjelica Huston –, a lendária editora-chefe da revista Vogue norte-americana lançou na década de 1980 Glamour, um livro que reúne imagens produzidas pelos melhores fotógrafos do mundo da moda, como Man Ray, Richard Avedon, Elliott Erwitt e sir Cecil Beaton. 

O título, um clássico, acaba de ganhar uma edição brasileira, pela editora Cosac Naify."

Nesta apurada reedição, a obra, inédita no Brasil, é apresentada por um prefácio do estilista Marc Jacobs. Reúne um precioso conjunto de fotos extraídas de revistas de moda, imagens captadas pelas lentes dos paparazzi, assim como retratos de ícones da literatura e das artes , entre outros, Maria Callas, Gertrude Stein, Eva Perón, Mick Jagger, Audrey Hepburn e o general Charles de Gaulle.

Há, também, fotos assinadas pelo inglês sir Cecil Beaton (1904-1980). Célebre por fazer retratos, Beaton, que também atuava nas artes plásticas e no design, consagrou-se pelos ângulos ousados para a época. Tanto que, a partir de 1937, tornou-se o fotógrafo oficial da família real inglesa. Trabalhou também como cenógrafo no cinema e no teatro e teve uma vida amorosa movimentada. Bissexual, namorou a atriz sueca Greta Garbo e o colecionador de arte britânico Peter Watson.
Diana Vreeland foi editora de moda da Harper's Bazaar por 26 anos e editora-chefe da Vogue entre 1963 e 1971. Seu ponto de vista surpreende até hoje pelo frescor incomparável e abertura para o futuro.

Fonte: Revista Bravo! - Edição 171 - Texto de Camila Gaio

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Livro: "Post mortem" - Photo poche (2007)

Dos múltiplos usos que o advento da fotografia gerou, as fotos post mortem - ou após a morte - é um dos mais notáveis​​. Relacionadas essencialmente com a percepção e representação da morte em uma dada sociedade e ritos fúnebres de seu tempo, a prática, comum no final do século XIX, diminuiu gradualmente, mas nunca se extinguiu.
Reservado para reis, poderosos ou famosos, cabia aos pintores, desenhistas, escultores e gravadores o registro da "última imagem". Em 1850, com a evolução da fotografia, esta tradição acaba ficando acessível para tantas pessoas. Pode ser encontrada neste livro uma seleção rigorosa desta iconografia particular, extraída a partir da abertura de arquivos de fotógrafos famosos ou de anônimos, que congelaram rostos perturbadores para sempre, seja de pessoas famosas ou de meros desconhecidos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Livros de fotografia grátis na Democratic Books

Capa do livro "At Home" de Jirka Ernest
Vejam que bacana este projeto, sem fins lucrativos, desenvolvido pelo grupo alemão DesignWork.
Eles começaram a atividade em junho de 2004, querendo publicar boas fotografias, de bons fotógrafos, levando livros de arte às pessoas gratuitamente.
Aos poucos, eles estão se tornando uma biblioteca aberta de e-fotolivros na internet e se transformando num banco de dados de informação livre para pesquisa em fotografia contemporânea.
É tudo grátis!
E se você tiver algo que quer ver publicado, seja você estudante, amador ou fotógrafo profissional, basta enviar para eles um CD com 24 a 30 imagens tamanho 12 x 12 cm, com resolução de 300 dpi e um arquivo de texto em inglês. Se eles gostarem, eles mesmos pegam as imagens e editam um Democratic Book que ficará disponível para download em pdf.

Interessados devem enviar o CD para:
DesignWork
Bayen Str. 28
50678 Cologne
Germany

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Livro: "Êxodos" - Sebastião Salgado (2000)

O Projeto Êxodos foi realizado ao longo de seis anos, em viagens que o fotógrafo fez por quarenta países. Salgado diz que o livro "conta a história da humanidade em trânsito... uma história perturbadora, pois poucas pessoas abandonam a terra natal por vontade própria. Em geral, elas se tornam migrantes, refugiadas ou exiladas constrangidas por forças que não têm como controlar, fugindo da pobreza, da repressão ou das guerras". O Projeto Êxodos incluiu, além do livro, uma grande mostra fotográfica que percorreu cidades como Rochester, Paris, Lisboa, Milão, Rio de Janeiro, Madri, Hamburgo, Vaticano e São Paulo.

Livro: "Terra" - Sebastião Salgado (1997)

Livro que reúne as fotografias que Salgado tirou em 1996 das milhares de famílias sem terra no Brasil. As legendas, de autoria do próprio autor, tecem a narrativa verbal do drama dos despossuídos e migrantes e da luta pela terra, nas suas diversas etapas. O fio da narrativa visual e verbal se entrelaça também à cadeia sonora de 4 músicas e respectivas letras, relacionadas à questão da terra do Brasil, de autoria do mais destacado compositor brasileiro, Chico Buarque de Hollanda e cujo CD vem anexo. O prefácio do livro é de autoria de José Saramago, o primeiro escritor em língua portuguesa a receber o Prêmio Nobel de Literatura. A exposição Terra, igualmente resultante desse trabalho, percorreu 40 países. No Brasil passou por mais de 100 cidades.

sábado, 20 de novembro de 2010

Livro: “Júlio Santos, Mestre da Fotopintura” (2010)

Foto pintada pelo Mestre Júlio
Saiu no blog do Paraty em Foco:
"Lançamento do livro “Júlio Santos, Mestre da Fotopintura” editado pela Editora Tempo d’Imagem, é um presente em forma de publicação aos amantes dessa técnica inventada em torno de 1863. Júlio Santos, o Mestre Júlio, aprendeu o ofício há quarenta anos com o seu pai, em Fortaleza, onde até hoje mantém o Áureo Studio, estúdio especializado em retrato, restauro e “transformação”, que atende a pedidos no Ceará e em outras capitais do país. A livro acompanha texto de apresentação da curadora Rosely Nakagawa e uma entrevista inédita com o Mestre Júlio Santos, realizada por Isabel Santana Terron, Tiago Santana e a curadora, no Áureo Studio, em Fortaleza. Nessa quarta-feira, 17 de novembro, acontecerá o lançamento do livro, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, para a ocasião está previsto um bate-papo entre Rosely Nakagawa e Júlio Santos para apresentação do livro."

Informações:
Lançamento do livro “Júlio Santos, Mestre da Fotopintura”
Onde: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza
Data: 17 de novembro de 2010, às 19h30