sexta-feira, 3 de junho de 2011

Livro, viagem, exposição? Veja como tirar seu projeto do papel

Lendo a edição número 50 da Revista São Paulo encartada no jornal Folha de São Paulo, no domingo, dia 29 de maio de 2011, encontrei uma matéria chamada "Nem meu nem seu, é tudo nosso" de autoria de Juliana Cunha.

A matéria diz que hoje em dia há "consumidores que fazem parte de um pequeno - mas crescente - nicho que não se importa em acumular posses, e sim em usufruir de tudo possuindo o mínimo possível". Como a revista em questão é uma edição "Especial Verde", a matéria enfatiza que "ter menos bens significa menos dor de cabeça, investimento e dano à natureza" e segue mencionando o surgimento desse mercado de consumo compartilhado, que é muito forte no exterior, mas que começa a chegar em São Paulo.

Na lista de opções há o compartilhamento de imóveis, de carro, há gente que divide seu espaço de trabalho e que troca suas roupas com outras pessoas. Porém a que mais me chamou a atenção foi "Tire seu projeto do papel", que segue abaixo na íntegra para quem precisar:

"Você tem esse projeto incrível pelo qual seus amigos suspiram, mas as empresas não dão a menor bola. Mais grave que isso: talvez você nem saiba como abordar uma companhia ou o governo pedindo incentivo. Antes, sua opções eram arquivar a ideia ou financiar com o próprio bolso. Depois do crowdfunding, você pode elaborar o projeto e colocá-lo sob apreciação de um exército de mecenas virtuais que apoiam financeiramente ações que julgam interessantes.

No Brasil, os maiores sites desse tipo são o Catarse e o Movere. Os dois aceitam todo tipo de projeto: show, exposição, filme, aplicativo para iPhone e produto tecnológico. As exigências são que o projeto seja criativo e tenha começo, meio e fim definidos. Os autores explicam o que querem fazer e de quanto dinheiro precisam. Cada internauta define o quanto quer doar.

Até agora, o Catarse já aprovou 40 projetos. Desses, 12 foram finalizados com sucesso, isto é, conseguiram o dinheiro que precisavam. No total, o site movimentou cerca de R$130 mil e rendeu R$ 6.000 aos fundadores, que cobram uma taxa de 5% sobre os projetos bem-sucedidos.

Segundo Diego Reeberg, um dos criadores do site, o que garante que os autores não vão simplesmente sumir com o dinheiro doado é que sua credibilidade está em jogo: "Entre 60% e 80% dos apoiadores fazem parte da rede de relacionamentos do autor do projeto. Ele precisa se expor, divulgar seu nome, e-mail, perfil nas redes sociais. Usar o dinheiro indevidamente geraria um dano de imagem para ele que certamente não compensaria.""

Natália Garcia, que teve o projeto "Cidade para Pessoas" financiado pelo Catarse, diz que ela levantou inicialmente R$25 mil que pagaram metade da viagem por Copenhague, Amsterdã e Barcelona, onde ela precisava pesquisar sobre soluções para o trânsito. A outra metade ela está negociando com empresas aéreas e albergues. Ela menciona ter obtido ajuda não só com a grana, mas com trabalho, com programação do site e com a identidade gráfica do projeto. Enfim, trabalhar colaborativamente foi mais interessante para ela do que do modo tradicional.

Então, se você tem aquele livro de fotografia para publicar, o projeto de uma viagem para fotografar ou mesmo uma exposição para montar, talvez esse possa ser um caminho.

Os sites:

Fonte: Revista São Paulo - Edição 50